E os homens, o que querem os homens?!

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“Um covarde é incapaz de demonstrar amor. Isto é um privilégio dos corajosos”! (Ghandi)

 

A um certo tempo que eu queria me expressar sobre o sexismo e acho que chegou o momento! Sexismo significa:

  • Um género é superior a outro.
  • Uma orientação sexual é superior a outra
  • Mulher e homem são profundamente diferentes (mesmo além de diferenças biológicas), e essas diferenças devem se reflectir em aspectos sociais como o direito e a linguagem.

Durante uma aula que dei, sobre Psicanálise, que demorou bastante a ser concluída, pois meus queridos alunos são muito contestadores (o que é muito bom), veio a emergir a pergunta do Dr. Sigmund Freud fez sobre as mulheres:

o que realmente querem as mulheres”?

Segundo o livro “Freud para principiantes, de Richard Osbone” a origem da problemática feminina está no Complexo de Castração. Explico-lhes citando um trecho do próprio livro:

“ A sexualidade da menina segue um caminho muito diferente da do menino. Enquanto os meninos temem o pai e a castração, a meninas tem que seguir o caminho oposto, pois elas descobrem já estão castradas.

Os dois sexos tomam a mãe como objecto de amor primário. Os meninos se confrontam com o seu Complexo de Édipo ao recalcar o desejo pela mãe, e transferi-lo para o desejo por outra mulher. Ele espera até ficar adulto para se tornar como o pai. O menino, com medo da castração, aceita o poder do pai, e ocupa o seu lugar na cultura normal.

Por sua vez, a menina, depois de descobrir que já é castrada, deve lidar com sua condição ‘mutilada’. Ela se pergunta se a mãe a trouxe ao mundo ‘nessa forma’. Volta-se contra mãe, desenvolve a ‘inveja do pénis’ e procura o pai como consolo. O seu desejo de ter um pénis se transforma em amor pelo pai e no desejo de lhe dar um filho, uma espécie de substituto para o pénis. Assim, a menina torna-se hostil a mãe, submissa ao pai e narcisista, além de masoquista. Freud ainda diria que as mulheres não têm senso de justiça, por causa ‘da inveja predominante na sai vida mental’.” Ou seja: “ numa palestra sobre feminilidade que Freud apresentou em 1931, confirma que as mulheres são naturalmente passivas, masoquistas, invejosas do homem, menos racionais e dotadas de um superego fraco” (Osborne, 1993:133-134).

Um pequeno a parte: -“Na minha modesta opinião, ficaria mais bonito demonstrar que a menina também pode ter um complexo edipiano, claro, com relação a seu pai, o seu primeiro objecto de amor, e, por isso, ser hostil a sua mãe (por competição). E, ao mesmo tempo que precisa dela, como fonte de sobrevivência, passa a sentir, então, emoções de ambivalência, com relação a esta mãe, já que, como é igual ao seu pai, também é seu objecto amado! Pode se dizer que existe uma triangulação amorosa! E assim se evitava em falar em castrações e mutilações figurarias. Mas como não sou psicanalista, e sim rogeriana, vou ficar quieta”!

E se observarmos o tamanho de toda obra de Freud, vemos o quanto ele acha as mulheres um tipo de “mistério” e, portanto, deu pouca importância para buscar compreende-las. Embora as feministas rejeitem a impressão que Freud teve sobre as mulheres, alguns neo-freudianos e/ou pós-freudianos tentaram preencher essa lacuna freudiana, como no caso da Dr.ª Karen Horney, que acreditava que a “inferioridade feminina” não era consequência da castração, ou inveja do pénis, mas sim, como as mulheres encaravam as opressões que a sociedade as submetiam. E, em defesa de Freud, ela dizia que o mesmo estava preso a mentalidade do século XIX, desculpabilizando suas expressões sobre as mulheres.

E se formos mais longe ainda, a ideia criada da inveja do pénis, pode ser reflexo, ou até mesmo consequência, da “inveja do útero”! Isso mesmo: no fundo, pode ser uma questão de poder, ou até mesmo de guerra entre os sexos, já que a mulher tem o poder de gerar vidas e dar continuidade a raça humana! Algo muito superior, não acham?

E quando um psicanalista disse, em um canal de televisão, que enquanto existir uma “mãe”, sempre haverá a Psicanálise, vejo o reflexo da imagem de um homem maduro, bem pequenino, e de uma mulher, também madura, grande, prestes a lhe bater! Porque é isto que estar a acontecer: as dificuldades nas relações é uma reacção por que, o homem, ainda vê a mulher como a “mãe poderosa”, transferindo toda relação que teve com esta, ao longo de sua vida! E é este tipo de relação pré-edipiana que deveria ter mais ênfase na Psicanálise, e não somente a figura do pai como o rival, aquele que castra!

Diante disso tudo, pergunto eu (e alguém, por favor, responda-me):

 “E o que realmente querem os homens? Ou melhor, o que querem os homens de nós mulheres”? Sim, esta é a pergunta!

Pergunto isso sem pretensão alguma de causar, ou cutucar, feridas em ninguém (atenção que não sou feminista, e também não sinto nenhum repudio a quem seja), mas o que eles querem?! Ou o que querem de uma mulher: que esta seja parecida com a sua mãe, ou diferente? Querem uma mulher que seja uma santa, ou um demónio (em sentido figurado, ou não)? Querem uma mulher para competir, ou para admirá-la (claro, uma pergunta para um homem bem-resolvido)? Querem uma mulher apenas para, ou como, um objecto de uso, uma aventura, ou apenas conhecê-la, para juntos partirem para algo comum? Quantas imposições, quantas escolhas… será que, no fundo, os homens apenas querem duas coisas: ou se vingarem das mães (se essa foi péssima com eles) ou as agradarem (quando o caso é ao contrario)? E neste meio estamos nós, as mulheres, sem sabermos a que lado nos dirigir: – “como ele vai me julgar: igual ou diferente”? Ou será que, ao invés de se vingarem em uma mulher, somente, querem mesmo é se vingar de todas… as quais ele nunca estaria preparado para superar?

Na verdade, o homem ainda é que um ser inseguro, e que vive na defensiva  com suas máscaras (atenção que isso não é regra, apesar de quase não haverem muitas excepções), e quando, diante de uma “mulher” (novamente, toda regra tem sua excepção) “moderna e avançada” (pois, apesar de tudo que nos foi imposto desde os primórdios, com excepção de algumas tribos e povos, de diferentes culturas, temos uma boa consciência do que somos e o que queremos), sente-se ameaçado, encurralado, pois, somos aquelas que conseguem evoluir, amadurecer, e ter disposição suficiente para continuarmos a luta com supremacia, mesmo com tanta repressão: diferentemente dos homens, que, sempre, tiveram liberdade e controlo! A conclusão que se tem é que: o homem é um ser que ainda não conseguiu se desligar da figura materna (qualquer figura materna que tenha tido), e que transfere toda dinâmica edipiana para as outras mulheres, que possa conhecer, revelando, assim, toda a sua imaturidade nas parcerias!

A mulher actual é muito diferente da qual a sociedade está habituada, e já observamos certas tendências, que dantes somente eram permitidas aos homens, a fazerem parte da realidade feminina. As mulheres se tornaram mais autónomas, gestoras, comandantes da própria vida e destino, demonstrando inteiras capacidades, que antes foram ignoradas, ou melhor, reprimidas! Independentemente de serem feministas, ou não (não vou me pronunciar sobre as feministas), uma mulher já não se deixa, nem permite mais, ser subjugada a homem algum, mesmo que se admita que este possa ter certos talentos diferenciados (dependendo da área), temos plena consciência que ambos podem, sim, conviver em pé de igualdade, sem que suas condições psicobiológicas interfiram nesta convivência! As mulheres sabem reconhecer que já chegaram ao topo, pois já quebramos muitas barreiras, e que irá continuar a quebrar mais, independentemente da condição sexual! 

E é esta mulher que o homem não esta habituado, até pode admirá-la, mas, como tudo que causa mudança, gera uma certa ansiedade, este não consegue se acostumar com esta potencia feminina! Ao procurarem uma companhia, o homem, preso ao “imago” feminino-maternal, pretendem uma mulher que tenha algo que ele precisa reconhecer, algo que ele já tenha visto, de todas as figuras femininas que já estiveram em sua frente (como sempre, eram aquelas que, um dia, chegaram a cuidar dele)! São elas essas mulheres, as mulheres do seu passado infantil, que são as mulheres ideais! Já observaram que certos homens idolatram suas figuras maternais? Aquela chiste que diz: “a sua mãe é a única mulher que não lhe trairá”, parece-me um pouco reveladora!

Ao se aperceber desta nova mulher, o homem cria mecanismo de defesa para poder defrontar esta mesma mulher, já que ele julga que ela não lhe dá muito para ele se assegurar… abrem-se, então, as portas dos fantasmas da rejeição e dos conflitos! Inteligente, bem sucedida, forte, competente, boa profissional e companhia… de bem com a vida, esta mulher demonstra que não precisa mais de nada, e, com seu ego “possivelmente” bem estruturado, e, focada no crescimento pessoal e intelectual, essa mulher parece evidenciar ao homem que, este, já não lhe é mais indispensável em sua vida. E o pior, para alguns homens, certas atitudes e comportamentos femininos acabam por ser interpretados como uma forma de competição, vindo por parte desta, na qual a mesma já se mostra como vencedora a partida, o que acalora a ideia que a mulher vive a vida em função de provar a sua “superioridade hegemónica”! É aí que mora o perigo! Diferentemente das mulheres “fálicas” (eu não vou pormenorizar quem são estas), nós mulheres não queremos competir com ninguém, não precisamos de nos mostrar superiores, pois nós  apenas queremos a igualdade entre os géneros e, além de que, nossas conquistas já falam por nós mesmas, sem que seja preciso prová-las, e, como também, não perdemos o nosso lado feminino-maternal, somente por que nos viramos mais autónomas e diferentes de nossas  (e vossas) avós! Sei que, se  algumas mulheres tornaram enrijecidas, foi por diversas circunstâncias da actualidade, mas ainda continuamos as mesma de sempre, certo que mais maduras e conscientes do nosso papel na sociedade, não somente como gestoras do lar e de nossas famílias, mas também, gestoras da própria humanidade!

Parece-me que este é o ponto fulcral em que os homens não conseguem perceber: uma mulher forte, autónoma e independente, que busca superar obstáculos, não pode ser também flexível, empática, cuidadosa e amável? Será que não se pode haver um certo equilíbrio dessas energias dentro da mulher? Mulher alguma quer ser como a mãe de nenhum homem, não pretendemos carregar esse fardo, mas somos tão mulheres tanto quanto ela! E ainda gostamos de ser cortejadas, namoriscadas, de mimos e de romantismos, não morremos para as delicadezas e emoções… nem morremos para o amor e para as parcerias, somente porque somos mais fortes!

Realmente, por responsabilidade dessa mulher-mãe do passado, nós, as mulheres actuais, damos com as dúvidas e indecisões masculinas, que já não nos reconhecem mais, daí, novamente, a pergunta: MAIS O QUE DIABOS OS HOMENS QUEREM DE NÓS! Fica a pergunta no ar! (isto continua…)

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